Penso e escrevo, não necessariamente nessa ordem. Escrevo para espantar a solidão, para elucidar as idéias, para passar o tempo, para entender meu mundo e o mundo que me cerca. Escrevo por paixão, do amor, do ódio ou do nada.
Raiva... ela sentia raiva...
Ela estava cansada de viver no meio-fio, pisando em ovos sempre. Poderia ser hoje, talvez amanhã. Mas ela tinha de conviver com a certeza de que o dia chegaria.
Ela estava cansada de viver esperando por esse dia, era demais até pra ela. A cada palavra, cada pensamento, cada vontade, qualquer coisa. Estava cansada de imaginar em tudo, o estopim, a derradeira coisa.
Sim. Era raiva o que sentia. Simples assim, como ação e reação. Ela sentia raiva simples e raiva impensada, porque raiva boa não se pensa, se sente. E pra se poupar de selvagerias desnecessárias, silenciava e esperava. E sentia raiva.
Ela pode até medir palavras e ocultar pensamentos. Ela pode fingir. E ela já tinha lhe poupado de tudo o que poderia. Não peça mais nada. Não peça que não sinta raiva.
Deixe que a raiva exploda... Deixe que o cansaço se transborde em raiva.
Ela estava cansada de sentir raiva. E queria amar de novo.
E ela dormiu de cansaço...
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