Sobre dores do corpo e dores da alma... e sobre nada...

A dor é inevitável, já dizia o ditado popular.
A dor é necessária, digo eu.


Sabe um daqueles momentos de iluminação, quando finalmente reconhecemos uma verdade que sempre esteve bem aqui na ponta do nosso nariz? Enquanto tomava banho e fazia minhas meditações (sim, costumo meditar ao invés de cantar) tive um daqueles insights que fazem tudo ter um novo sentido.

Dessa vez cheguei à conclusão de que a dor é um bem necessário. E digo um BEM, quase como uma dádiva. E não estou falando de práticas de sadomasoquismo onde a dor é concebida como um prazer. Estou falando dessas nossas pequenas dores do dia-a-dia. Da dor de cabeça, dor de estômago, dor nas costas... e também, da dor da saudade, da dor de amor.

E o que tem a ver a dor de dente com a dor da gente, aquela dor na alma? É dor, é tudo dor, e dói do mesmo jeito, às vezes mais ou menos, mas é dor doída como qualquer outra dor.

Sem mais delongas, vamos ao que me interessa:

- a dor é um sinal de que algo não vai bem, é um sinal de alerta: muitas vezes sabemos que estamos sob forte estresse ou nos alimentando mal, dormindo mal, raciocinando mal, porém só nos damos conta, ou só damos um tempo quando a dor nos ataca e nos obriga ao descanso (forçado).

- a dor pode ser concebida como um impulso elétrico enviados pelo nosso sistema nervoso que comunica ao nosso cérebro que algo não está indo muito bem.

- há pessoas que sentem dor o tempo todo sem que haja causa ou evidência física (na verdade é uma doença chamada fibromialgia).

- e agora minha grande descoberta: há pessoas que não sentem dor.

Minha estadia aqui no Camphill tem sido bem interessante em todos os aspectos, mas principalmente em todo o aprendizado diário. Algumas pessoas com as quais eu convivo não sentem dor, ou pelo menos não com a mesma intensidade que pessoas normais. Isso quer dizer que elas podem ter sérios ferimentos e não sentirem nada (talvez o sistema nervoso não envia os sinais elétricos, talvez o cérebro não codifica os sinais como dor, seja como for...).

O grande problema é que essas pessoas sofrem os mesmos danos de uma pessoa qualquer quando expostas a qualquer tipo de estresse (seja físico ou emocional) e por não sentirem dor, muitas vezes esses danos são, na verdade, até maiores, porém difíceis de serem detectados a tempo.

Vou tentar exemplificar: uma das pessoas com quem convivo sofreu uma queimadura bastante séria e isso só foi percebido (outra pessoa por acaso viu uma mancha escura na pele dessa pessoa) uns três dias depois, quando o caso já estava bastante grave.

E, voltando às dores da alma, sabe quando sentimos aquela saudade ou tristeza aguda que chegam a doer de verdade? É a tal da dor necessária mandando um aviso de que algo está fora de ordem e que devemos tirar um tempo pra checagem. E nada de frescuras, dor é dor e ponto.

E como diziam os bons médicos, daqueles que olhavam pra nossa cara e nos faziam uma longa anamnese, não basta medicar os sintomas se não tratamos as causas. Afinal, as dores servem pra isso: um alerta de que precisamos de cuidados específicos.

E da próxima vez que sentir dor, vou (tentar) me lembrar disso tudo, já que, no final das contas, devaneios são só devaneios...

***

P.S. O texto foi escrito direto no blog e não editado. Eu tinha acabado de sair do banho e tava caindo de sono, mas não queria perder a idéia. Provavelmente com erros de português e talvez subjetivo e sem muita clareza na exposição do tema. Mas queria deixar registrado minha linha de pensamento... mesmo que sem pretensas conclusões.

Das complexidades da vida pós-moderna

Tenho tido um enorme cansaço de todas as verdades inquestionáveis e as mentiras mal contadas. O que é pior: acreditar que uma verdade qualquer é tão real que não pode ser contestada ou acreditar que tudo é questionável e transitório e que, portanto, podemos fabricar nossas próprias convicções e alterar a própria realidade? 


Ética, contestável. 
Moral, dúbia. 


A ciência virou um meio para provar um fim. A religião um fim para justificar os meios. O primeiro não chega mais a lugar nenhum e o segundo não tem mais justificativas. 


Fé, questionável. 
Liberdade, utópica. 


A natureza é feia e insípida. Gostoso é o industrializado e bonito o artificial. A eterna juventude vem em potes e num bisturi e a morte em cápsulas e garrafas. 


Beleza, artificial. 
Comida, industrializada. 


Fechamo-nos em bolhas de sabão (literalmente, porque é tanto produto de limpeza diferente pra cada coisa...) e achamos que estamos devidamente protegidos em uma bolha de vidro, enquanto sonhamos com o mundo perfeito das novelas e assistimos chocados a violência dos jornais diários. 


Relações, líquidas. 
Amor, interesseiro. 


A indiferença já não existe mais, porque esta pressupõe um olhar e já não mais olhamos, senão o espelho. Diferentes são os Outros enquanto Eu sou exclusivo. O outro, é o estrangeiro, o empregado, o marginal, o pobre, o feio e o fraco. Mesmo que seja meu próximo e que esteja logo ali ao lado. Compramos, então realizamos. Lucramos, então superamos.Possuímos, então somos. 


Dinheiro, deusificado. 
Corpo, plastificado. 


E enquanto levamos uma vida nostálgica, planejamos um futuro brilhante. O hoje? É uma nova foto pra "upar" nas mídias sociais. Leva-se mais tempo escolhendo o close certo do que apreciando a vista. Tornamo-nos vaidosos da nossa complexidade e daí complicamos tudo um pouco mais e no final o que não podemos entender é só o que vale a pena. E gastamos todo o tempo tentando apreender o tempo. 


Trabalho, sacrifício. 
Arte, negociável. 


Boa mesmo era a época em que ovo e leite eram saudáveis, que carne tinha gosto de carne, que brincar de roda era divertido e rolar na terra era benéfico. Ou será que isso não é sobre um tempo? 


Natureza, morta. 
Humanidade, extinta.


Free Yourself

A woman to her foolish lover


Surprise me
I already know your smell so well
Sometimes I only desire you wear a cheap cologne
And I could mistake you by another one

Amaze me
Whisper sweet lullabies until I fall sleep
Watch me while I rest and feed me when I first open my eyes
Love me gently and unmistakably

Astonish me
Send me flowers letters
Make me a song and sing to me in a public square
And so hold me tenderly in your arms

Overtake me
Everything in you is predictable
Yours lies yours excuses yours runarounds
Tell me something I don't know yet

Catch me
For fuck's sake rip me slap me
Fuck me loud and high and fuck me again
Get hold of me and make me yours

Take me by surprise
And don't do anything I ask you
Do something unexpctable different or even wrong
Or marry me

Or leave me

Hoje nasceu uma estrela...




Ele fazia o melhor peixe que eu comi em toda a minha vida. E era um churrasqueiro de mão cheia. 


Gostava de um copo sempre cheio... e depois transbordava. E abraçava apertado, até sufocava. Daí ia dormir, cansado, feliz. E roncava. Exatamente assim, nessa ordem.


Quando ninguém tava olhando, enchia o copo alheio também. Porque festa boa é aquela que se faz junto. E dividia o pão, a carne, o peixe, o barco e até a própria casa.


Queria tanto ter tido tantos filhos que nos fez a todos filhos. E se magoava se faltássemos ao seu aniversário, como qualquer pai.


Matuto. Gostava como ninguém de uma moda de viola. E gostava mesmo era de mar. Se perdia, mas não perdia o leme.


Bom capira, Caipora. Enganou até a má sorte que de raiva se vingou. Teimoso como ele só, renasceu estrela hoje.


Vai agora, brilha, que o céu é teu destino. 

Raiva... ela sentia raiva...






Ela estava cansada de viver no meio-fio, pisando em ovos sempre. Poderia ser hoje, talvez amanhã. Mas ela tinha de conviver com a certeza de que o dia chegaria.


Ela estava cansada de viver esperando por esse dia, era demais até pra ela. A cada palavra, cada pensamento, cada vontade, qualquer coisa. Estava cansada de imaginar em tudo, o estopim, a derradeira coisa.


Sim. Era raiva o que sentia. Simples assim, como ação e reação. Ela sentia raiva simples e raiva impensada, porque raiva boa não se pensa, se sente. E pra se poupar de selvagerias desnecessárias, silenciava e esperava. E sentia raiva.


Ela pode até medir palavras e ocultar pensamentos. Ela pode fingir. E ela já tinha lhe poupado de tudo o que poderia. Não peça mais nada. Não peça que não sinta raiva.


Deixe que a raiva exploda... Deixe que o cansaço se transborde em raiva. 


Ela estava cansada de sentir raiva. E queria amar de novo.


E ela dormiu de cansaço... 

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